
Trabalho com gigantes e PMEs, e descobri algo incômodo: o problema de gestão é o mesmo. Só muda o tamanho do estrago quando não é resolvido.
Em uma multinacional, vi projetos de milhões de reais travados porque ninguém sabia quem tinha autoridade para decidir. Em uma grande empresa nacional, acompanhei parceiros brigando por falta de clareza nos contratos. Numa empresa familiar, presenciei pai e filho quase saindo na porrada por divergência sobre investimento.
Cenários diferentes. Mesmo problema.
Existem três padrões que se repetem em toda empresa, não importa o tamanho. Quando você aprende a identificá-los, já tem a metade da solução.
Primeiro padrão: ninguém sabe quem decide o quê. Nas grandes empresas, chamam de ‘falta de governança’. Na empresa familiar, de ‘todo mundo mete o dedo’. Mas é a mesma coisa. Decisões travadas, reuniões infinitas, todo mundo opina, ninguém resolve. O estrago? Na grande, projetos parados. Na pequena, oportunidades perdidas.
Segundo padrão: o que não está escrito não existe. Vi acordo verbal entre sócios virando processo judicial. Vi ‘combinado’ entre áreas virando guerra interna. Tudo porque confiaram na memória, na boa-fé, no ‘a gente se entende’. Até o dia que não se entendem mais. O estrago? Relacionamentos destruídos e dinheiro em advogados.
Terceiro padrão: confundem movimento com progresso. Empresa cheia de reuniões, de projetos e de iniciativas, mas nada sai do lugar. Ninguém para perguntar: “isso aqui resolve o quê?”. Fazem por fazer. Ocupados, mas não produtivos. O estrago? Desgaste do time e resultado medíocre.
Agora, o que as melhores empresas fazem diferente? Três coisas simples, mas que exigem coragem.
Definem claramente quem manda. Não no discurso. Na prática. Quem decide sobre investimento acima de X? Quem aprova contratação? Quem tem voto de minerva quando empata? Está escrito, todo mundo sabe, todo mundo respeita.
Documentam o importante. Acordo entre sócios? Contrato. Processos críticos da empresa? Mapeados. Decisão estratégica? Ata de reunião. Não por burocracia. Por segurança.
Fazem menos e melhor. Escolhem três prioridades e ignoram o resto. Não tentam fazer tudo ao mesmo tempo. Sabem que execução supera intenção. Sempre!
A empresa pequena costuma ter vantagem: decide mais rápido, muda de rota com agilidade, tem menos burocracia. Mas joga essa vantagem fora quando opera na base do improviso, do ‘depois a gente resolve’, do achismo.
Já a grande empresa tem estrutura, processo e gente boa. Mas se paralisa no próprio tamanho quando transforma tudo em comitê, quando ninguém assume risco, quando todo mundo se esconde atrás de PowerPoint.
O que aprendi trabalhando com os dois mundos: tamanho não protege de problema mal resolvido. Só amplia a consequência.




