
Tem uma narrativa popular circulando por aí: “planejamento estratégico está morto”, “planos são inúteis em tempos de incerteza”, “esqueça a estratégia, só execute”.
Permita-me discordar.
O problema não é o planejamento. O problema é como estamos planejando.
Deixe-me te contar uma história.
Conheço um CEO que, no auge da pandemia, puxou o plano estratégico de cinco anos que sua empresa havia finalizado em janeiro de 2020. Todos esperavam que ele jogasse aquilo no lixo. Em vez disso, ele fez algo diferente: manteve a visão intacta, mas redesenhou completamente o caminho para chegar lá.
A visão permaneceu. A rota mudou três vezes em seis meses.
Resultado? A empresa não apenas sobreviveu – cresceu 40% durante a crise.
Isso me ensinou algo fundamental: a estratégia não é o problema. A rigidez é.
Veja bem: você não constrói uma casa sem projeto. Não atravessa o oceano sem rota. Não escala uma montanha sem conhecer o cume que quer alcançar. Por que sua organização deveria operar sem direção estratégica?
A questão não é abandonar o planejamento. É evoluí-lo.
Pense no planejamento estratégico como uma planta viva, não como uma fotografia emoldurada. Plantas crescem, se adaptam à luz disponível, buscam água onde ela está. Mas nunca perdem sua essência, sua natureza fundamental.
O planejamento moderno exige três camadas integradas:
Camada 1 – O Núcleo Imutável. Aqui vivem seu propósito, sua visão de longo prazo, seus valores inegociáveis. Isso não muda com o vento. Isso é sua âncora em meio ao caos. Sem essa clareza, você não está sendo ágil, mas apenas reagindo.
Camada 2 – A Estratégia Adaptativa. Seus objetivos de médio prazo, suas apostas estratégicas, seus vetores de crescimento. Aqui você revisa trimestralmente, questiona premissas, ajusta rotas. Não porque seu plano original era ruim, mas porque as condições mudaram. E ignorar mudanças não é estratégia, é teimosia.
Camada 3 – A Execução Responsiva. Suas iniciativas, seus experimentos, suas táticas. Aqui você testa, aprende, pivota, acelera ou abandona. Semanalmente, se preciso. Porque velocidade de aprendizado define vencedores.
O segredo? Essas camadas conversam o tempo todo.
Quando sua execução revela algo novo sobre o mercado, sua estratégia se ajusta. Quando sua estratégia encontra resistência persistente, você questiona se ainda está alinhada ao núcleo. É um sistema vivo, respirando.
Mas aqui está o detalhe crucial: você precisa de disciplina para fazer isso funcionar.
Sim, disciplina. A mesma palavra que muitos associam a rigidez é, na verdade, o que permite flexibilidade sustentável.
Disciplina para revisar sistematicamente. Não quando “dá tempo”. Não quando a crise bate à porta. Mas em ciclos definidos, com dados na mesa, com as pessoas certas na sala.
Disciplina para separar ruído de sinal. Nem toda mudança no ambiente exige mudança na estratégia. Líderes maduros sabem distinguir turbulência temporária de inflexão estrutural.
Disciplina para manter conversas difíceis. “Nosso plano está falhando” é diferente de “o ambiente mudou”. Você precisa saber qual é qual. E ter coragem para admitir ambos.
Recentemente, conheci uma empresa que insistia: “não temos tempo para planejar, precisamos executar”. Seis meses depois, tinham queimado muito dinheiro em iniciativas descoordenadas, equipes exaustas e resultados medíocres.
Sabe o que eles não tinham? Tempo para desperdiçar.
Planejar não é o oposto de executar. Planejar bem é o que torna sua execução eficaz.
A diferença é que, hoje, planejar não significa prever o futuro. Significa preparar sua organização para múltiplos futuros possíveis. Significa construir capacidades que servem em diversos cenários. Significa ter clareza do que você defende, mesmo quando tudo ao redor está mudando.
O novo planejamento estratégico não é um documento de 200 páginas que ninguém lê. É uma conversa contínua, estruturada e honesta sobre para aonde vamos e como chegamos lá, considerando o que estamos aprendendo pelo caminho.
É planejamento com pés no chão e olhos no horizonte.
E se você acha que isso é fácil, pense de novo. Exige maturidade de liderança, humildade intelectual, infraestrutura de dados, cultura de aprendizado. As organizações que dominam essa arte não apenas sobrevivem à neblina. Elas a usam para se distanciar de quem ainda está parado, esperando-a passar.
Então, não abandone seu planejamento estratégico. Ensine-o a dançar conforme a música muda.
Porque no final, vence quem combina direção clara com passos adaptáveis.
Sua estratégia já aprendeu a dançar?
Em tempo: se você está repensando como sua organização planeja estrategicamente, adoraria trocar experiências. Minha caixa de comentários está aberta para conversas que importam.




