Inteligência Artificial (IA): você está adotando uma ferramenta ou construindo uma estratégia? O risco de ser tático demais

Vejo um erro recorrente que está custando caro às empresas familiares brasileiras: confundir adoção de tecnologia com transformação estratégica. A Inteligência Artificial (IA) é o novo divisor de águas, e a maioria do(a)s empresário(a)s vem tratando essa revolução como se fosse apenas mais um software a ser instalado. Um erro crasso!

As empresas familiares brasileiras estão em um ponto de inflexão perigoso, aquele momento em que a distância entre quem inova estrategicamente e quem apenas ‘adota ferramentas’ se torna irreversível.

Os números alertam! À primeira vista, os dados podem parecer animadores: 38% das empresas familiares já adotam alguma forma de IA. Progresso, certo? Errado. O alerta vermelho está no número seguinte: menos de 20% adaptaram sua estratégia tecnológica para lidar com o impacto real dessa inovação.

Traduzindo: a maior parte está usando IA de forma tática, para otimizar tarefas isoladas, automatizar processos pontuais e responder e-mails. Enquanto isso, uma minoria está usando IA de forma estratégica, para redesenhar o modelo de negócios, repensar a cadeia de valor e criar vantagens competitivas sustentáveis. Isto separa quem sobrevive de quem prospera.

O risco de ser tático demais é a obsolescência acelerada, que não avisa quando está chegando. Enquanto você usa a IA para escrever e-mails corporativos mais rápido ou criar apresentações bonitas, seu concorrente está usando a mesma tecnologia para:

• Prever demanda com precisão cirúrgica, reduzindo estoques e perdas.

• Otimizar toda a cadeia de suprimentos em tempo real, cortando custos logísticos.

• Personalizar a experiência do cliente em uma escala impossível para humanos, fidelizando e aumentando o lifetime value.

A pergunta que todo(a) empresário(a) deveria estar se fazendo não é ‘já implementamos IA?’, mas ‘estamos usando IA para criar vantagens competitivas que nossos concorrentes não conseguem replicar facilmente?’ Se a resposta for não, você não está inovando, mas gastando dinheiro em tecnologia.

A Governança Corporativa precisa liderar a agenda de IA, e não delegar ao departamento de TI, como se fosse mais um projeto de infraestrutura. Isso exige três movimentos estratégicos fundamentais: visão de longo prazo, coragem para adaptar o modelo de negócios (a decisão mais difícil) e atração e retenção de talentos digitais. A questão não é se você vai adotar IA. A questão é se você terá a coragem de deixá-la transformar o seu negócio.

Não permita que a inércia, aquela resistência ao novo, aquele apego ao ‘sempre fizemos assim’, transforme a IA em desperdício. Empresas familiares que tratam IA como ferramenta tática estão assinando sua própria sentença de obsolescência. Aquelas que a tratam como estratégia de sobrevivência estão construindo o legado do futuro.

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