
Ele foi contratado pelo resultado e para arrumar a casa. Arrumou!
Em dezoito meses, reduziu a ruptura de estoque, renegociou fornecedores, entregou a melhor margem operacional da história da empresa e melhorou o clima organizacional. Nos relatórios, os números não mentiam. A gestão tinha virado.
Foi demitido mesmo assim.
Não por incompetência. Por atrito. Um filho do fundador, sem cargo formal, mas com trânsito livre em qualquer decisão, discordava do estilo do executivo. Não havia conselho para mediar. Não havia critério documentado de avaliação. Havia apenas a palavra de quem tinha sobrenome.
Esse caso não é exceção. É padrão.
Um levantamento da Georgia State University com empresas familiares nos Estados Unidos mostrou algo revelador. No estágio intermediário do mandato, o executivo não familiar tem mais de 40% de chance de ser desligado quando o resultado financeiro é ruim. O executivo da família, no mesmo cenário, tem menos de 20%. A régua já nasce torta.
E tem mais. Pesquisa publicada no Strategic Management Journal mostrou que quanto mais fraca a governança, mais a saída do CEO está ligada a variáveis que não são só performance. Poder, confiança pessoal, proximidade com a família. A empresa até mede resultado. Mas quem decide a permanência, decide por outros critérios.
Aqui está o paradoxo que todo dono de empresa familiar em processo de sucessão precisa encarar. Escolher bem o(a) sucessor(a) não é garantia de nada, se a casa não tem estrutura para sustentá-lo(a).
Um(a) CEO, familiar ou não, só tem autonomia real quando existe sócios e um conselho amadurecido por trás. Um espaço onde a avaliação segue critério, não humor. Onde a permanência é decidida por indicadores acordados, não por quem tem mais intimidade com o dono.
Sem isso, o(a) melhor sucessor(a) do mundo dura o tempo que a paciência da família permitir. E paciência, sem governança, é o recurso mais escasso que existe.
Se você está preparando sua sucessão, essa é a pergunta que interessa. Seu sucessor ou sua sucessora vai ter um conselho para protegê-lo(a) quando entregar resultado e incomodar alguém da família? Ou só vai ter a sorte de agradar?
Pense nisso!




