O fundador estava tomando 47 decisões sozinho por semana

Terça-feira, 21h. O fundador ainda está no escritório. Na frente dele: três propostas de expansão, uma negociação de investimento e um conflito entre sócios que ninguém quer tocar. Ele olha para o celular. Pensa em ligar para alguém.

Mas para quem?

O contador vai falar de imposto. O advogado vai falar de risco. O sócio vai defender a posição dele. Ele precisa de alguém que olhe para o jogo inteiro. Não encontra. Decide sozinho. De novo!

Seis meses depois, a empresa cresce 40%. O fundador está exausto. Porque crescer sem estrutura é como dirigir a 140 km/h sem cinto de segurança. Pode dar certo. Até o dia que não dá.

A solidão do(a) fundador(a) não é romantismo empreendedor. É sintoma de governança fraca. Porque nenhum ser humano deveria carregar sozinho decisões que afetam dezenas de empregos, milhões em receita e o futuro de uma empresa. Mas a maioria carrega!

Recentemente, encontrei-me com um fundador de uma empresa familiar. Segue início da nossa conversa…

(Eu) – Como estão as coisas? Tudo bem?
(Fundador) – Opa! Tudo sim. Tenho novidades: criei um conselho consultivo porque o banco pediu. Achei que era burocracia. Na terceira reunião, eles me mostraram um risco que eu nem sabia que existia.
(Eu) – O que mudou?
(Fundador) – Parei de decidir no escuro.

Conselho de administração ou consultivo não é enfeite para apresentação institucional. É o grupo que te faz as perguntas que você evita fazer sozinho. Que questiona o óbvio que virou dogma. Que enxerga o ponto cego que você normalizou. Não é sobre controle. É sobre clareza.

Fundador(a) que se diferencia é visionário(a). Mas visão sem governança vira teimosia cara. A diferença entre coragem e imprudência, às vezes, é só uma pergunta que ninguém fez.

Vi empresas familiares se prepararem para sucessão com dez anos de antecedência porque o conselho provocou a conversa. E vi outras implodirem em seis meses porque o fundador achou que governança era ‘coisa de empresa grande’. Quando a crise veio, não tinha estrutura para segurar.

Conselho estratégico bem montado não te diz o que fazer. Ajuda você a pensar melhor sobre o que você já sabe que precisa fazer. Traz experiência que você não tem. Oxigena decisões que estavam viciadas. Protege a empresa de você mesmo, nos dias em que a emoção fala mais alto.

Governança corporativa não é burocracia. É o sistema que transforma instinto em estratégia. E esta em execução sustentável.

Você não precisa de um conselho que concorda com tudo. Precisa de um conselho que te desafia nas perguntas certas. Talvez, a questão não seja “eu preciso de um conselho?”, mas: “quantas decisões eu ainda consigo tomar sozinho, antes de uma delas custar a empresa inteira?”.

Pense nisso!

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